Corpo poesia




"A princípio a relação corpo e poesia é bastante óbvia. . A construção/elaboração da linguagem articulada em formatos estéticos, seja pela fala, seja para cifragem de códigos, se relaciona com a emergência do corpo (já que matéria), por corporificar o que apreende emocionalmente do ambiente...

Uma forma de dizer que a linguagem poética é o modo de nos tornarmos um no/com o todo. O corpo agencia suas propriocepções em linguagem. Ao dizermos: no humano tudo é linguagem, algo, no entanto, fica em espreita. A função mais imediata do corpo é a comunicação. O próprio estar do corpo no ambiente já é comunicação. Já há uma relação explícita de comunhão entre os fenômenos da natureza corporal e os fenômenos da natureza do ambiente em que ele se coloca...

Desse simples estar do corpo toda uma rede de interlocuções com o espaço-tempo já estão em andamento. A nível do real e do virtual, a nível do concreto e do abstrato. O corpo é eminentemente material, isso, no entanto, não o limita a sua concretude...

Essa incessante pulsão poética do corpo pelo prazer de cada instante delimita suas ações, contorna suas formas projetadas, individualiza e socializa uma identidade em decifração atualizada no ambiente, agora já sem distinção entre o fora e o dentro, ancorada nesse limiar que é a linguagem, por sua vez ancorada à língua – as vezes traços, as vezes pele, as vezes forma, as vezes sons, mas sempre mecânicas de articulações e músculos checando a materialidade, através de relações.
 
O corpo, essa integridade analítica, individualidade universal, tem poucas saídas a não ser tentar a poesia, sem nunca atingi-la de fato, se se pretende vivo. Tudo mais é a burocracia do existir: comer, cagar, dormir, trepar, viver e morrer..."
 
 
[ Para ler na íntegra :  foliadasletras.proext.com.br/corpo-poesia ]
 
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Um comentário:

Anônimo disse...

Bonito... ser e ler.