O corpo reprimido




"... O corpo reprimido só tem duas duas escolhas: fazer aos outros o que faz a si mesmo, ou aceitar, dos que que o governam, uma repressão contínua. O corpo reprimido detido na sua evolução, paralisado de medo, limitado em suas escolhas, com a respiração entravada, com as sensações anuladas, o corpo desnorteado obedece à ordem que se impôs há muito. Assim como não quer perceber-se a partir do interior, também se protege para não receber diretamente, pelo corpo, pelos sentidos, pela intuição, informações do mundo exterior...

Enfrentar o próprio passado e o estado presente é um desafio aterrador (...) A tomada de consciência de si mesmo não é nada confortável. Reconhecer que a ordem parental, a ordem social, a ordem política estão inscritas no corpo, que elas enrijeceram o comportamento e o pensamento, reduziram o campo de ação, é experiência que exige uma coragem danada. Fica claro, para todos os que tentaram, que o conhecimento de si mesmo não é um fim em si mesmo. É um começo, o primeiro passo a partir do qual precisa ser feito, revisto, re-sentido.

Será exagero afirmar que quem sente viver o próprio corpo não pode mais brutalizar outro corpo, atirar e matar de forma inconsciente ? Será exagero pensar que alguém mata a partir do que está morto nele ? Se conseguirmos desajustar nossos automatismo, abrir nossos circuitos fechados de comportamento, será que não vamos, enfim, ver o que é evidente, colocar nossa energia a serviço do possível, encontrar pessoalmente uma ética coerente e cotidiana ? Se enfrentarmos nossos velhos medos, será que não vamos ter coragem de aceitar novos riscos ? A consciência de si é uma abertura para novas opções, para novas ações espontâneas, originais, individuais, isoladas que podem - e podem mesmo - ser pertubadoras, isto é, revolucionárias."


[ Thérèse Bertherat em seu livro "O correio do corpo", 1987 ]


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3 comentários:

Daniela Scheifler disse...

Excelentes textos! Adorei vir aqui :)

beijocas

ASPNET disse...

Amanda, achei super interessante a leitura, parabéns...

Ari Pedro disse...

Oi Amanda
prazer em conhecê-la
amei sue blog, bem vinda ao meu
agora somos nós da mesma rede...